MFS05 - Simbólica e Religião - Maçonaria Templários e Rosa Cruz
É a palestra mais polêmica do conjunto. Mário Ferreira dos Santos enfrenta o tema sobre o qual quase nenhum filósofo acadêmico do seu tempo aceitava se pronunciar publicamente — a relação entre as ordens iniciáticas modernas (Maçonaria, Templários, Rosa-Cruz) e a simbólica religiosa antiga. O tom é de pesquisador honesto, não de panfleteiro. MFS conhecia os textos — leu Albert Pike, René Guénon, os trabalhos eruditos sobre a história templária — e fala a partir do conhecimento, não do boato.
A tese que ele desenvolve é matizada. Por um lado, reconhece que essas ordens preservaram, em algum grau, fragmentos da simbólica tradicional que as religiões institucionais haviam relegado ao esquecimento. Por outro, mostra como a transmissão se contaminou: o que originalmente era veículo cognitivo de verdades metafísicas tornou-se, em muitos ramos modernos, ideologia política, secretismo decorativo ou superstição contrafeita. Distinguir o joio do trigo, nessas matérias, exige conhecimento sério da simbólica clássica — que poucos têm.
Quem ouvir esta palestra esperando endosso ou condenação fácil sairá frustrado. MFS não é nem maçom nem antimaçom, nem rosa-cruz nem cruzado anti-esoterismo. É um filósofo, e como tal se interessa pelo que cada um desses movimentos tem a dizer sobre a estrutura do real — quando tem algo a dizer — e sobre as suas próprias falhas — quando se apresentam como o que não são. Lição rara num assunto onde quase todos os autores tomam partido antes de pensar.