Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
MFS04

MFS04 - Da Abstração e da Metafísica

Mario Ferreira dos Santos
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.

“Da Abstração e da Metafísica” trata da operação cognitiva mais fundamental e mais controversa da filosofia ocidental: a abstração — o gesto pelo qual a inteligência humana extrai de uma multiplicidade de fenômenos particulares uma essência comum, e a partir dessa essência constrói o saber. Aristóteles fundou a doutrina; Tomás de Aquino a desenvolveu; Kant a problematizou; o nominalismo medieval e o empirismo moderno tentaram negá-la. MFS, nesta palestra, defende-a — não por dogmatismo escolástico, mas porque, sem ela, nenhuma ciência (nem mesmo a positivista que tentou aboli-la) consegue se sustentar.

A abstração, mostra MFS, é o pressuposto silencioso de qualquer pensamento. Quando o cientista experimental fala de “lei da gravidade”, ele já abstraiu de bilhões de quedas particulares uma estrutura comum. A metafísica não é, portanto, um discurso “acima” da ciência: é a explicitação dos pressupostos sem os quais a ciência não funcionaria. Negar a metafísica é fingir que se está pensando sem usar as ferramentas do pensar — gesto autocontraditório que o positivismo moderno cometeu sem perceber.

A palestra é exigente. Quem nunca enfrentou Aristóteles vai precisar ouvir mais de uma vez. Mas a recompensa é grande: depois desta meia hora com MFS, o leitor descobre que o filósofo brasileiro autodidata oferece, em prosa oral, a clareza que muitos manuais escolásticos europeus não conseguem ter. É uma das melhores defesas modernas da metafísica clássica em qualquer idioma.

Minhas notas