MFS06 - Simbólica e Ordem Religiosa (Trecho)
Trecho preservado de uma palestra mais longa em que Mário Ferreira dos Santos examina como as grandes ordens religiosas — beneditinos, dominicanos, franciscanos, jesuítas, na cristandade ocidental; ordens hindus, budistas, sufis, no oriente — articulam, cada uma, uma simbólica própria que organiza tanto a sua ascese interna quanto a sua liturgia externa. A simbólica não é, aqui, mera estética: é o conjunto de símbolos vivos que dão forma ao tempo cotidiano dos religiosos (o hábito, o horário das orações, o gesto litúrgico, o cântico, a arquitetura do mosteiro).
MFS havia observado, em outras palestras, como o esvaziamento simbólico das ordens religiosas modernas — um processo iniciado, segundo ele, com certas tendências do séc. XIX e acelerado depois do Concílio Vaticano II — coincidiu com o seu próprio enfraquecimento institucional. A correlação não era casual: ao perderem a linguagem simbólica viva, as ordens perdiam a forma pela qual transmitiam, geração após geração, o seu carisma original. A simbólica não é decoração; é veículo. Quando se quebra o veículo, o conteúdo não chega.
Sendo trecho, a palestra é descontínua — interrompe-se em ponto que provavelmente desenvolveria mais. Ainda assim, é prólogo iluminador para a palestra seguinte (MFS07), em que ele aprofundará a análise comparada de hinduísmo, budismo e a Companhia de Jesus.