Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
E32506
Esquemas Aristotélicos · nº 55

Falácias Materiais

­EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA

Esquema Aristotélico no 55

Falácias Materiais

(sofismas, paralogismos, falácias, refutações sofísticas)

Falácias

Causas

Descrição

Exemplo

1. Fallaciae in dictione

(dependem da linguagem usada)

→Falácias linguísticas

  1. Equívoco (homonímia).

O termo é ambíguo.

“Fulano é bestial.”

  1. Anfibolia.

Há ambigüidade de sintaxe ou de estrutura gramatical.

“João entregou a seu primo o carro dele.”

  1. Falsa conjugação ou composição.

Reunião errônea de termos (sobretudo por erro de pontuação).

“Não, tenha clemência!”

“Não tenha clemência!”

  1. Falsa disjunção ou separação.

Separação errônea de termos.

“Cinco é dois e é três.”

  1. Falsa acentuação ou prosódia.

Acentuação errônea de termos.

“Andamos depressa para ganhar tempo.”

  1. Falsa forma de expressão ou figura de dicção.

Expressão de algo diferente pela mesma forma.

“Paulo é o ficante de Maria.” (“Ficante” usado como substantivo por analogia a “amante”).

2. Fallaciae extra dictionem

(independem da linguagem usada)

→Falácias extra linguísticas

  1. Falsa equação do sujeito e do acidente (sofisma do acidente).

Falsa suposição de que o predicado do sujeito será predicado do seu acidente e vice-versa.

“Esse remédio não fez efeito, logo remédios não servem para nada.”

  1. Confusão do relativo com o absoluto.

Emprego de uma expressão em sentido absoluto a partir de um sentido relativo.

“Se o não-ser é objeto de opinião, o não-ser é.”

  1. Ignorância do argumento, ignorância da questão (ignoratio elenchi).

Desvio da questão com base em alegação espúria.

Inclui argumentum ad hominem, ad populum, ad misericordiam, ad bacullum, ad ignorantiam.

  1. Ignorância do consequente.

Conversão falsa do consequente.

“Marte é um planeta como a Terra. A Terra é habitada, logo Marte também o é.”

  1. Petição de princípio (petitio principii).

Tenta-se provar o que não é evidente em si mesmo, mediante ele mesmo.

“Shakespeare é famoso, porque suas peças são conhecidas no mundo inteiro.”

  1. Confusão da causa com o que não é causa (non causa pro causa).

Algo acidental a uma coisa é empregado para estabelecer sua natureza.

“Corridas de cavalos são nocivas, porque algumas pessoas perdem dinheiro”.

  1. Pergunta complexa (reunião de várias questões em uma).

Pressupor que está na pergunta o que está totalmente na resposta.

“Por que você roubou o meu relógio?”

Fonte: Ferrater Mora, José. Dicionário de Filosofia. Tradução de Roberto Leal Ferreira e Álvaro Cabral. São Paulo, Edições Loyola, 2001.

Aristóteles. Refutações Sofísticas. Tradução de Edson Bini. Bauru, Edipro, 2005.

Miriam Joseph, Irmã. Trivium. Tradução de Henrique Paul Dmyterko. São Paulo, É Realizações, 2008.