Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
MFS10

MFS10 - Filosofia Concreta

Mario Ferreira dos Santos
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.

“Filosofia Concreta” é o nome que Mário Ferreira dos Santos deu à própria síntese filosófica — o ápice da sua Enciclopédia das Ciências Filosóficas e Sociais. A expressão pode confundir: para o leitor moderno, “concreto” é o oposto de “abstrato”, e portanto soa anti-filosófico. Mas, em MFS, “concreto” tem sentido técnico: é o real apreendido na sua totalidade — não fragmentado em disciplinas isoladas (física, biologia, psicologia, teologia) nem reduzido a um único princípio, mas pensado como o tecido vivo em que todas essas dimensões coexistem.

A Filosofia Concreta articula a tradição clássica (Aristóteles, Tomás), a fenomenologia alemã (Husserl, Heidegger), a ciência moderna (matemática, física, biologia) e a simbólica antiga, mostrando como cada uma dessas vias capta um aspecto do real e como a totalidade só aparece na articulação delas. É um projeto ambicioso, comparável em escopo às grandes sínteses europeias do séc. XX (Whitehead, Maritain), mas com originalidade brasileira.

Esta palestra é a melhor porta de entrada à obra-coração de MFS — mais acessível do que os volumes técnicos, em que o autor desenvolve cada peça do sistema. Quem ouve sai com a impressão clara de estar diante de um pensador de primeira linha que, por motivos que pouco têm a ver com a qualidade do trabalho, foi sistematicamente ignorado pela academia brasileira do seu tempo. Olavo de Carvalho, anos depois, fez muito para resgatá-lo. O Monir continuou esse trabalho.

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