Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
M117

The Waste Land

T. S. Eliot em 1923, ano seguinte à publicação de <em>The Waste Land</em>.
T. S. Eliot em 1923, ano seguinte à publicação de The Waste Land.

Em 1922, recém-saído de uma crise nervosa em Lausanne, T. S. Eliot publica nos Estados Unidos e na Inglaterra um poema de 433 versos chamado The Waste Land. Nada na poesia em língua inglesa tinha preparado o leitor para o que ali aparece: cinco partes aparentemente desconexas, escritas em vários registros — alta liturgia, pub londrino, profecia veterotestamentária, conversa quotidiana —, em mais de uma língua, com citações encaixadas de Dante, Shakespeare, Wagner, Baudelaire, dos Upanishads, da Bíblia, todas pulverizadas e remontadas como um vitral feito a partir de cacos de catedrais diferentes.

O poema é, diretamente, a expressão da crise de civilização que a Europa atravessava em 1922 — quatro anos após o fim da Primeira Guerra. Eliot, americano que se naturalizara inglês e se converteria pouco depois ao anglo-catolicismo, vê o Ocidente moderno como uma terra árida, povoada por mortos vivos, onde a fertilidade dos antigos rituais se perdeu e nenhum novo ritual a substituiu. As figuras míticas que atravessam o poema — o Rei Pescador ferido da lenda do Graal, o vidente cego Tirésias que “tudo viu”, a Sibila condenada a viver eternamente — são as testemunhas dessa esterilidade.

The Waste Land termina com a palavra sânscrita Shantih, repetida três vezes — a paz que ultrapassa o entendimento. Eliot oferece essa paz como horizonte, não como conquista. Para alcançá-la, primeiro é preciso atravessar a terra arrasada. Nem ele, nem o seu leitor, conseguem evitar a travessia. (Aula também catalogada sob o código M63.)

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