Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
M113

O Saber dos Antigos

Giovanni Reale
Gravura de Empédocles em <em>The History of Philosophy</em> de Thomas Stanley, séc. XVII — representação clássica dos pré-socráticos.
Gravura de Empédocles em The History of Philosophy de Thomas Stanley, séc. XVII — representação clássica dos pré-socráticos.

O filósofo italiano Giovanni Reale (1931–2014) foi um dos mais importantes historiadores da filosofia antiga do séc. XX. A sua História da Filosofia em cinco volumes, publicada em parceria com Dario Antiseri, é, para muitos professores de filosofia em língua portuguesa, a obra de referência. Mas Reale escreveu também obras de síntese menores — livros em que reformulou, para o leitor geral, o resultado das suas investigações técnicas. O Saber dos Antigos, publicado originalmente em italiano em 1995, é um desses livros.

A tese central de Reale é que a filosofia grega antiga — de Tales a Plotino, mil anos de tradição — não pode ser lida como uma galeria de “sistemas” isolados, à maneira dos manuais iluministas do séc. XVIII. Tem de ser lida como uma contínua e complexa conversa sobre um pequeno número de perguntas essenciais: o que é o real? o que é o conhecimento? o que é o homem? qual é o lugar da alma no cosmos? como deve o homem viver? A cada pergunta, as várias escolas (jônios, eleatas, pitagóricos, sofistas, platônicos, aristotélicos, estoicos, epicuristas, céticos, neoplatônicos) deram respostas diferentes — mas em diálogo umas com as outras. Quem recusa esta leitura perde o fio da tradição; quem a aceita descobre que a filosofia grega é uma unidade viva, não um cemitério.

Reale escreve com clareza didática, sem abandonar o rigor. O seu conhecimento dos textos originais é sólido — foi um dos tradutores italianos de Platão e Aristóteles. O livro é excelente porta de entrada para quem nunca leu filosofia antiga e excelente revisão para quem já leu. Monir fez desta obra material de aula porque nela se encontra, em duzentas páginas, a súmula do que, em bibliotecas inteiras, os especialistas consolidaram nas últimas décadas. Ler o pequeno volume é adquirir a chave para ler toda a produção posterior com maior profundidade.

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