Ortodoxia
Publicado em 1908, Orthodoxy é a segunda parte de um díptico iniciado dois anos antes com Heretics. Neste primeiro livro, Chesterton havia atacado as filosofias modernas — de Nietzsche a Kipling, de Tolstói a Shaw — mostrando como cada uma delas, tomada em sua consequência lógica, produzia uma forma particular de loucura. Acusaram-no, então, de criticar sem propor. Ortodoxia foi a resposta: um livro em que Chesterton explica por que, após ter examinado todas as filosofias disponíveis, acabou aceitando — com espanto, como quem descobre que o Atlântico era exatamente o lugar onde sempre estivera — a doutrina católica-apostólica clássica.
O livro é autobiográfico na forma. Chesterton conta o itinerário intelectual pelo qual passou — do ceticismo adolescente, pelo flerte com o socialismo, pelo mergulho no ocultismo, pela flutuação entre as modas filosóficas do tempo — até reconhecer, aos trinta anos, que a única cosmologia capaz de dar conta simultaneamente do seu riso, da sua indignação moral, da sua sede de aventura e da sua nostalgia do paraíso era aquela que o Credo dos Apóstolos, recitado todos os domingos, afirmava há dois mil anos. O livro culmina com a imagem de uma “carruagem celeste” que atravessou a história européia mantendo o equilíbrio entre extremos que, separadamente, teriam derrubado o cristianismo.
Nenhum outro livro de Chesterton é mais lido do que este. É escrito com o humor chispante do melhor jornalismo inglês, mas, sob o humor, há argumentação séria e leitura profunda. Convertidos do séc. XX — C. S. Lewis, T. S. Eliot, Evelyn Waugh, Graham Greene, e dezenas de outros — reconheceram em Ortodoxia um dos livros decisivos da sua trajetória. Quem o abrir encontrará uma rara combinação: a defesa de uma doutrina antiga feita com inteligência contemporânea, sem nostalgia fácil, com a liberdade do homem que sabe exatamente por que escolheu o que escolheu.