Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
MFS19

MFS19 - Palestra sobre a Psicologia

Mario Ferreira dos Santos
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.

A psicologia, no séc. XX, tornou-se ciência dominante e refém das próprias ambições. Freud abriu a porta do inconsciente; Jung articulou os arquétipos; o behaviorismo americano reduziu o homem ao binômio estímulo-resposta; a psicologia humanista pós-guerra tentou recuperar a dignidade individual. Mário Ferreira dos Santos, nesta palestra, faz uma análise crítica de toda essa galeria. Reconhece o que cada escola apreendeu de verdadeiro; aponta o que cada uma sacrificou para apreendê-lo.

A tese central de MFS é simples e impopular: nenhuma psicologia digna desse nome pode prescindir da metafísica. O que é a alma? O que é a pessoa? O que é a liberdade? Sem responder essas perguntas — que são metafísicas, não empíricas — qualquer psicologia se torna técnica de manipulação ou descrição de comportamento, mas não conhecimento do homem. Os clássicos (Aristóteles em De Anima, Tomás em Suma, Edith Stein em Estructura da Pessoa Humana) tinham essa metafísica articulada. Os modernos, ao abandoná-la, ficaram com instrumentos sem usuário.

Para o ouvinte brasileiro contemporâneo — bombardeado por psicologismo de redes sociais, autoajuda barata e diagnósticos psiquiátricos generalizados — esta palestra é antídoto. Mostra que pensar a alma humana com seriedade exige mais do que vocabulário técnico moderno: exige a tradição filosófica que vai de Aristóteles a Husserl. MFS, autodidata, conhecia essa tradição como poucos.

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