Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
MFS16

MFS16 - Neopositivismo e Filosofia Concreta

Mario Ferreira dos Santos
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.
Mário Ferreira dos Santos (1907–1968), filósofo brasileiro autodidata — fotografia da juventude.

O neopositivismo (Círculo de Viena, Wittgenstein I, Carnap, Schlick, Ayer) foi, entre os anos 1920 e 1950, a corrente filosófica dominante no mundo anglófono. A sua tese central — só tem sentido aquilo que pode ser empiricamente verificado, ou aquilo que é tautologia lógica — pretendia varrer da filosofia toda a metafísica, toda a ética substantiva, toda a teologia. Mário Ferreira dos Santos, nesta palestra, enfrenta o neopositivismo de frente. Não com xingamento; com argumento.

O ataque de MFS é técnico. Mostra, em primeiro lugar, que o próprio princípio de verificação não é nem verificável empiricamente nem tautologia lógica — portanto, segundo o próprio critério dos neopositivistas, é destituído de sentido. Ou seja, o neopositivismo se autodestrói. Mostra, em seguida, que a vida humana real opera com toneladas de afirmações não-verificáveis empiricamente (juízos morais, decisões existenciais, hipóteses interpretativas) que, longe de serem “sem sentido”, são exatamente onde se decide o que vale a pena.

A Filosofia Concreta de MFS é apresentada como alternativa: em vez de amputar do pensamento humano tudo o que não cabe no laboratório, integra os diversos modos de conhecer — empírico, lógico, intuitivo, simbólico, metafísico — numa síntese que respeita as competências e os limites de cada um. É uma das palestras mais combativas do conjunto e uma das mais relevantes hoje, em que ressurgentes formas de positivismo (cientificismo, redutorismo neuro-biológico) repetem os mesmos erros refutados há setenta anos.

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