MFS13 - Infinito
O conceito de infinito é, talvez, o mais perturbador da história da filosofia. Para os gregos clássicos (Pitágoras, Platão, Aristóteles), o infinito (ápeiron) era sinal de imperfeição: o perfeito é o limitado, o belo é o que tem forma, e forma exige limite. Para a tradição cristã medieval, ao contrário, o infinito tornou-se atributo positivo de Deus — o único ser perfeito é o ser sem limite. A modernidade matemática, com Cantor no séc. XIX, mostrou que há infinitos de tamanhos diferentes, abrindo um abismo conceitual no qual ainda nadamos. MFS, nesta palestra, examina essas três fases.
O ouvinte é levado a perceber que “infinito” não é uma palavra com significado único — é uma família de conceitos que, ao longo de dois mil e quinhentos anos, recebeu sentidos opostos. Compreender em qual sentido se está falando é a primeira tarefa de quem quer pensar com rigor sobre Deus, sobre o universo, sobre a alma humana, sobre a matemática. O infinito de Aristóteles não é o infinito de Pascal; o infinito de Pascal não é o infinito de Cantor.
MFS, conhecedor das três tradições, atravessa-as com uma agilidade que deveria ser invejada por professores universitários. Em meia hora ele cobre mais terreno conceitual do que muitos cursos semestrais. Para o ouvinte sério, é convite a voltar aos textos originais — Aristóteles, Física Livro III; Pascal, Pensamentos; Cantor, sobre os transfinitos — armado da cartografia que MFS lhe forneceu.