Biblioteca do PeregrinoJosé Monir Nasser
M99

República de Platão

Platão
Rafael, <em>A Escola de Atenas</em>, 1509–11 — Vaticano.
Rafael, A Escola de Atenas, 1509–11 — Vaticano.

Pireu, porto de Atenas. Sócrates é convencido a ficar para uma conversa que, a princípio, será sobre a vida do velho Céfalo. A conversa se desdobra, e a pergunta central se impõe: e se fosse possível demonstrar, sem recurso ao castigo divino ou às sanções legais, que a justiça é preferível à injustiça pelo bem que ela traz à alma do justo? Sócrates aceita o desafio. O diálogo se estende por dez livros e converte-se, no curso do debate, no exame mais ambicioso da tradição clássica sobre o que é uma alma, uma cidade e o bem.

Aqui aparecem as analogias mais célebres da tradição: a alma humana tem três partes — racional, irascível, concupiscível —, que correspondem às três classes da cidade ideal. No coração do diálogo aparecem as três maiores metáforas filosóficas já formuladas: o sol, a linha dividida, a caverna. A caverna, sobretudo: a condição humana natural é a do prisioneiro acorrentado vendo sombras na parede; a filosofia é a libertação que permite sair, ver o sol e voltar para libertar os outros.

A cidade justa, Platão diz explicitamente no livro IX, “talvez só exista no céu, como paradigma para quem queira examinar-se”. O que fica, ao fechar o livro, não é o programa político, é a imagem: a caverna, a subida, o sol, o retorno. (Aula também catalogada sob o código M87.)

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